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A presidente ou a presidenta?

Olá pessoal!
Achei o texto abaixo muito interessante e concordo com ele. Não estou fazendo juízo do governo da presidente Dilma Rousseff, só gostaria de saber vossas opiniões sobre o tema já que uns defendem que deve-se flexionar o adjetivo "presidente" com o objetivo de democratizar a língua e combater o machismo.

"Miriam Rita Moro Mine - Universidade Federal do Paraná.
No português existem os particípios ativos como derivativos verbais. Por exemplo: o particípio ativo do verbo atacar é atacante, de pedir é pedinte, o de cantar é cantante, o de existir é existente, o de mendicar é mendicante... Qual é o particípio ativo do verbo ser? O particípio ativo do verbo ser é ente. Aquele que é: o ente. Aquele que tem entidade.
Assim, quando queremos designar alguém com capacidade para exercer a ação que expressa um verbo, há que se adicionar à raiz verbal os sufixos ante, ente ou inte. Portanto, a pessoa que preside é PRESIDENTE, e não "presidenta", independentemente do sexo que tenha (ou que gostaria de ter). Diz-se: capela ardente, e não capela "ardenta"; se diz estudante, e não "estudanta"; se diz adolescente, e não "adolescenta"; se diz paciente, e não "pacienta". Um bom exemplo do erro grosseiro seria: "A candidata a presidenta se comporta como uma adolescenta pouco pacienta que imagina ter virado eleganta para tentar ser nomeada representanta. Esperamos vê-la algum dia sorridenta numa capela ardenta, pois esta dirigenta política, dentre tantas outras suas atitudes barbarizentas, não tem o direito de violentar o pobre português, só para ficar contenta"."

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    Essa menina Miriam é bem espirituosa Gustavo, bem interessante o texto, tanto que notei a questão do verbo "mendicar", leia, se você se interessar...

     

    A forma mendicar não existe atualmente, mas já existiu como variante culta de mendigar. José Pedro Machado, no seu Dicionário Etimológico da Língua Portuguesa, assinala que há registos de mendicar no século XVI: «e se perdem uns vivendo mal, e outros mendicando, porque não têm outra vida (Arrais, IV, cap. 26, p. 306)».

     

    Tanto a forma mendicar como mendigar derivam do verbo latino mendicare. Como referem Holtus, Metzeltin e Schmitt em Lexikon der Romanistischen Linguistik, as oclusivas surdas latinas p, t e k sofreram uma sonorização (ou vozeamento) no português, passando a b, d e g, quando na posição intervocálica e antes das vogais a e u (como em amicu- > amigo). A forma popular mendigar entra no léxico do português antigo e sofre essa transformação, enquanto mendicar surge posteriormente e já não sofre este processo linguístico, sendo exemplo do processo de enriquecimento lexical do português clássico1.

     

    De igual modo, mendicante e mendigante provêm do particípio presente de mendicare (mendicans, mendicantis). Só que, nestes casos, enquanto a primeira forma prevaleceu no português moderno, usada como adjetivo ou substantivo (Dicionário Houaiss), mendigante desapareceu, restando da sua existência passada a referência feita por José Pedro Machado na obra acima indicada.

     

    1 Esperança Cardeira, em O Essencial sobre a História do Português (p. 71), observa que a língua literária dos séculos XVI e XVII retoma o modelo latino, do qual decalca a sintaxe e o léxico, concluindo que «é esse o maior contributo linguístico do português clássico: a construção frásica que imita a latina, a abundância de subordinação, os latinismos que enriquecem o acervo lexical».

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