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O Rei Reformado I

Na passada segunda-feira (2 de junho) o Rei da Espanha, Juan Carlos I, abdicou na pessoa de seu filho Felipe de Borbón. Desde esse momento todos os meios de comunicação começaram a se aquecer mais do que já se tinham aquecido na semana anterior.
De facto a notícia da abdicação foi pública uma semana depois de se celebrar as eleições para escolhermos os nossos representantes ao Parlamento Europeu. Se calhar, para o leitor que for português, isto que estou a contar seja familiar. No entanto, eu compreenderia perfeitamente que, por exemplo, um brasileiro ficasse surpreso de eu misturar monarquia e representação eleitoral.
Concordaremos em que uma notícia como a abdicação de um rei não acontece todos os dias. Portanto, é suficientemente importante como para focalizar a atenção toda, não apenas de um país, mais também de uma comunidade internacional que observa com detalhe como esse país está, supostamente, a sair de uma crise económica para se mergulhar numa crise política.
Efetivamente, a primeira crise referida, a económica, é consequência, entre outras causas, de uma crise política. Os espanhóis da minha idade – eu nasci em 1975 – já vivemos uma evolução económica e social, que posicionou nossos pais numa situação melhor da vivida pelos nossos avôs, que nos deu a possibilidade de estudarmos e formarmos para ser a geração melhor preparada da história de Espanha. O Rei, Juan Carlos I, teve um papel principal no sucesso de Espanha após 1975, isto é, a transição de uma ditadura a uma democracia parlamentar. Ele soube aproximar pontos de vista radicalmente enfrentados para redigir uma constituição, avaliada por referendo. Reagiu de modo inverso a como pensaram os militares golpistas, para assim estabilizar a democracia quando esta sofreu um golpe de estado em 1981. O Rei sempre manteve clara a posição cordial e aberta com nossos vizinhos de Marrocos. É apaixonado da Europa – viveu o exílio durante sua infância na Itália, e sua adolescência em Portugal, namorando-se já dela. Finalmente conseguiu que a Coroa Espanhola fosse um referente em toda América Latina, tomando-a como mediadora em conflitos e ponte económica e cultural com Europa.
O Rei abdica agora. 40 anos dão para todo isso! Mais tudo valeu a pena?

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    O Rei Reformado I

    Na passada segunda-feira (2 de junho) o Rei da Espanha, Juan Carlos I, abdicou em favor de seu filho Felipe de Borbón. Desde esse momento todos os meios de comunicação começaram a se aquecer mais do que já se tinham aquecido na semana anterior.
    De fato, a notícia da abdicação foi públicada uma semana depois de se celebrar as eleições para escolhermos os nossos representantes do Parlamento Europeu. Se calhar, para o leitor que for português, isto que estou a contar seja familiar. No entanto, eu compreenderia perfeitamente que, por exemplo, um brasileiro ficasse surpreso de eu misturar monarquia e representação eleitoral.
    Concordaremos em que uma notícia como a abdicação de um rei não acontece todos os dias. Portanto, é suficientemente importante como para focalizar a atenção toda, não apenas de um país, mas também de uma comunidade internacional que observa com detalhe como esse país está, supostamente, saindo de uma crise econômica para mergulhar numa crise política.
    Efetivamente, a primeira crise referida, a econômica, é consequência, entre outras causas, de uma crise política. Os espanhóis da minha idade – eu nasci em 1975 – já vivemos uma evolução econômica e social, que posicionou nossos pais numa situação melhor da vivida pelos nossos avôs, que nos deu a possibilidade de estudarmos e formarmos para ser a geração melhor preparada da história da Espanha. O Rei, Juan Carlos I, teve um papel principal no sucesso de Espanha após 1975, isto é, a transição de uma ditadura a uma democracia parlamentar. Ele soube aproximar pontos de vista radicalmente enfrentados para redigir uma constituição, avaliada por referendo. Reagiu de modo inverso a como pensaram os militares golpistas, para assim estabilizar a democracia quando esta sofreu um golpe de estado em 1981. O Rei sempre manteve clara a posição cordial e aberta com nossos vizinhos de Marrocos. É apaixonado da Europa – viveu o exílio durante sua infância na Itália, e sua adolescência em Portugal, namorando-se já dela. Finalmente conseguiu que a Coroa Espanhola fosse uma referência em toda América Latina, tomando-a como mediadora em conflitos e ponte econômica e cultural com Europa.
    O Rei abdica agora. 40 anos dão para tudo isso! Mas tudo valeu a pena?

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